Caminhos de Peabiru: Dakila Pesquisas une tecnologia e história
Pesquisadores em campo com equipamento de drone Crédito: Divulgação Dakila. Muito antes da formação das fronteiras que hoje dividem a América do Sul, uma extensa rede de caminhos conectava povos, territórios e culturas. Conhecidos como Caminhos de Peabiru, esses trajetos ligavam regiões do litoral brasileiro ao interior do continente, alcançando territórios em direção à Cordilheira dos Andes. Utilizados por diferentes povos indígenas, os caminhos tiveram papel na circulação de pessoas, nas trocas culturais e comerciais e nas práticas espirituais. Séculos depois, a rede de rotas continua despertando o interesse de pesquisadores. Entre as instituições dedicadas ao tema está Dakila Pesquisas, que realiza expedições e levantamentos em diferentes regiões do Brasil para investigar possíveis trechos, documentar vestígios e ampliar o conhecimento sobre a história dos caminhos. Sob a liderança de Urandir Fernandes de Oliveira, o grupo reúne pesquisadores de diferentes áreas e recursos tecnológicos. Tecnologia na investigação As pesquisas de Dakila combinam expedições de campo, análise de registros históricos, estudos de simbologias e sensoriamento remoto, como drones, LiDAR e radar de penetração no solo (GPR). Elas produzem levantamentos detalhados do terreno e orientam investigações em áreas de difícil acesso. Um dos trabalhos ocorreu em 2022, na região de Apiacás, em Mato Grosso, onde a equipe usou LiDAR para mapear aproximadamente 96 hectares. Segundo Dakila, o levantamento identificou padrões retilíneos no terreno, hoje integrados às investigações sobre antigas ocupações humanas na Amazônia. Expedições por vários estados Nos últimos anos, Dakila realizou expedições no Paraná, em Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Rio de Janeiro, reunindo registros de campo e informações sobre possíveis conexões entre as antigas rotas. No Paraná, a equipe investigou a Trilha de Itupava, em Quatro Barras, e áreas próximas a Campo Largo e Balsa Nova, onde foram documentados trechos de caminhos pavimentados, inscrições em pedras e estruturas que, segundo os pesquisadores, merecem estudos adicionais. Trecho de caminho de pedras em meio à mata Crédito: Divulgação Dakila. Em Santa Catarina, as investigações passaram por Coxilha Rica, São Pedro de Alcântara, Joinville e Garuva, com registro de antigas taipas de pedra e caminhos históricos. No litoral paulista, a associação pesquisou Barra de Ararapira, Cananéia e São Vicente. Gravuras rupestres Em dezembro de 2023, na região do rio Aripuanã, no Amazonas, a equipe documentou, segundo a associação, três locais com gravuras rupestres, incluindo um conjunto de nove painéis ao longo de cerca de 35 metros, com mais de 500 gravuras e micro gravuras de formas geométricas, figuras humanas e animais. A associação relaciona os registros ao projeto de remapeamento dos Caminhos de Peabiru, embora essa conexão ainda precise ser demonstrada por evidências arqueológicas específicas. Um novo mapa para o Peabiru Uma das principais iniciativas é o projeto de Remapeamento Internacional dos Caminhos do Peabiru, que reúne dados das expedições, compara registros históricos e geográficos e constrói uma representação ampliada das rotas. A associação pretende estudar também possíveis relações com caminhos de outras partes do mundo, como Europa e Oriente Médio. Outro ponto investigado é uma possível conexão com Ratanabá, nome dado pela equipe à hipótese de uma antiga cidade na Amazônia. “Remapear o Caminho de Peabiru é preservar o passado, desvendar a nossa história e criar oportunidades para o futuro, unindo cultura, inovação e sustentabilidade”, afirma Urandir Fernandes de Oliveira, presidente da Dakila Pesquisas. História, cultura e turismo Além do trabalho de campo, Dakila pretende ampliar a divulgação dos estudos com produções documentais e iniciativas de turismo científico, cultural e ecológico. A valorização dos caminhos envolve ainda o reconhecimento do papel dos povos indígenas na utilização, preservação e transmissão desses conhecimentos. Mais do que investigar antigos trajetos, o projeto propõe conectar áreas do conhecimento e estimular novas perguntas sobre a história do território brasileiro, mantendo abertas as investigações sobre suas origens, extensões e transformações. Pesquisas e projetos estão no site de Dakila.
Leia também