Clubes de futebol encerram contratos com empresa do ES citada em investigação de lavagem de dinheiro que prendeu MC Ryan
PF investiga envolvimento de empesa capixaba suspeita de lavar dinheiro ligado ao PCC Após a empresa capixaba Blackbox ser citada em uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC), clubes do futebol do Espírito Santo anunciaram o encerramento de contratos de patrocínio com a companhia. Entre eles está o Rio Branco Atlético Clube, que havia firmado um dos acordos mais expressivos do futebol capixaba em 2025, com valor que poderia chegar a R$ 4 milhões. O contrato valia até o fim de de 2026, mas foi terminado, conforme anunciado nesta quarta-feira (10). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A empresa é apontada pela PF como integrante da estrutura financeira investigada na Operação Narco Fluxo, deflagrada em abril deste ano, que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. A ação resultou na prisão do funkeiro MC Ryan SP. As investigações indicam que a Blackbox firmou contratos com uma empresa ligada a MC Ryan SP para ações publicitárias nas redes sociais. Para a PF, porém, os documentos serviriam apenas para dar aparência de legalidade às operações financeiras. Em 2025, Rio Branco anunciou a empresa Blackbox como patrocinador master do clube capixaba. Espírito Santo Divulgação/Rio Branco LEIA TAMBÉM: VILA VELHA: Empresária dirige quilômetros com homem agarrado em capô de carro em Vila Velha; veja vídeo VÍDEO: Neblina e fumaça de secador de café provocam engavetamento com 6 veículos e 5 pessoas feridas no ES 17 PRESOS: Megaoperação prende suspeitos e mira facção criminosa ligada ao tráfico de drogas em Linhares Os investigadores identificaram transferências de pelo menos R$ 1,3 milhão para contas pessoais do cantor entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. Os proprietários da empresa capixaba foram identificados como Thadeu José Chagas Silveira e Renan Costa da Mata. A TV Gazeta tentou contato com representantes da Blackbox nesta quarta (10), mas houve retorno até a última atualização desta reportagem. Criada em 2021, a Blackbox se apresenta como uma consultoria especializada em educação financeira, apostas esportivas e marketing digital, mas, de acordo com a PF, estaria sendo utilizada também para atividades ligadas ao mercado ilegal de apostas. Uma suspeita apurada é de que a empresa participava da criação e operação de robôs voltados à manipulação de apostas esportivas. Parcerias com clubes capixabas No Espírito Santo, a empresa ganhou espaço ao patrocinar alguns dos principais clubes do futebol local. O principal acordo foi firmado com o Rio Branco, no entanto, além do clube capa-preta, a empresa fechou contratos de patrocínio com Vitória Futebol Clube, Desportiva Ferroviária e Serra Futebol Clube. O que dizem os clubes: O Rio Branco informou que realizou análise jurídica e documental da empresa antes da assinatura do contrato e afirmou que não havia informações públicas que desabonassem a patrocinadora naquele momento. O clube também informou que encerrou o vínculo com a Blackbox. O Vitória afirmou que rescindiu o contrato após tomar conhecimento das investigações divulgadas pela imprensa. Já a Desportiva Ferroviária informou que o patrocínio teve duração de três meses e já havia sido encerrado antes da divulgação do caso. O Serra Futebol Clube disse que manteve contrato com a empresa apenas durante a disputa da Série B do Campeonato Capixaba de 2025 e que tomou conhecimento das investigações por meio da imprensa. Sede da Polícia Federal no Espírito Santo. Ricardo Medeiros Operação Narco Fluxo A primeira fase da Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 15 de abril com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos ilícitos por meio de dinheiro em espécie, empresas de fachada e transações com criptoativos. Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária em oito estados e no Distrito Federal, incluindo o Espírito Santo. Segundo a PF, o grupo utilizava mecanismos para ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro. Durante a operação, foram apreendidos veículos, documentos, equipamentos eletrônicos e valores em espécie. MC Ryan SP deixou a cadeia cerca de um mês após a operação, depois que a Justiça Federal concedeu habeas corpus ao cantor. Ao ser liberado, ele negou envolvimento nos crimes investigados, disse que pretendia "cuidar da família" e chegou a cantar uma música que faz referência ao período em que esteve preso. Além de MC Ryan SP, a operação também levou à prisão do cantor MC Poze do Rodo, do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, de Chrys Dias e de outros produtores de conteúdo. Todos foram soltos posteriormente por decisão da Justiça. MC Ryan SP foi detido pela PF durante Operação Narco Fluxo Reprodução/Canal do YouTube do artista Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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