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Eleições americanas: em disputa, o controle do Congresso nos próximos 2 anos e os limites do poder de Donald Trump

G1
04 de Novembro de 2026 às 00:02
6 min de leitura
Eleições americanas: em disputa, o controle do Congresso nos próximos 2 anos e os limites do poder de Donald Trump

Milhões de americanos foram às urnas decidir quem vai controlar o Congresso dos Estados Unidos. Na prática, o resultado da eleição de desta terça-feira (3) vai determinar os limites do poder de Donald Trump durante a segunda metade do seu mandato na presidência. Todo o planeta está acompanhando muito de perto o começo da contagem dos votos. É por isso que os correspondentes do Jornal Nacional foram distribuídos pelo país, acompanhando a apuração em estados decisivos nessa votação. Nilson Klava foi para o Michigan e contou por que essa eleição é tão importante: "Porque é o poder do presidente da maior potência do mundo que está em jogo nessa eleição. E qualquer decisão tomada por ele impacta o mundo inteiro. Por isso ela importa tanto. E, no caso de Donald Trump, nos dois primeiros anos desse segundo mandato, ele governou com a maioria na Câmara e no Senado, sem quase sofrer resistência alguma. Isso permitiu a ele tomar decisões como aplicação de tarifas no Brasil ou iniciar uma guerra lá no Irã, sem consultar, sem ter autorização do Congresso. Agora, se a oposição consegue hoje aqui virar esse jogo, ela vai ter mais instrumentos para barrar esse tipo de medida, para colocar freios no poder presidencial, pra abrir investigações, por exemplo, e aumentar a fiscalização do governo. É por isso que essa eleição é tão importante. A votação, ela continua por aqui. Apenas dois estados, Kentucky e Indiana, já fecharam as urnas. E como você tem seis fusos horários diferentes aqui nos Estados Unidos, todo esse processo de votação e apuração deve ir noite adentro, tá gente? Vai acompanhar isso durante longuíssimas horas por aqui. Mas a contagem dos votos já começou. A gente está, inclusive, aqui em um centro de contagem de votos no Michigan. O pessoal aqui atrás de mim já está trabalhando bastante nesse processo. É uma eleição que, sim, como a gente coloca aqui, trata do Congresso, mas é uma eleição que em 36 estados também vai eleger governadores. Então, é uma eleição muito ampla aqui nos Estados Unidos. E nós acompanhamos a reta final da campanha no Michigan e vamos mostrar para vocês, na reportagem, o que está em jogo por aqui também e como está esse clima na reta final da campanha. Vamos ver". 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A cidade de Dearborn tem a maior comunidade árabe-americana dos Estados Unidos. E as placas no quintal não deixam dúvida do voto para o Senado por lá: Abdul El-Sayed. Candidato da ala mais à esquerda do Partido Democrata, que pode se tornar o primeiro muçulmano eleito senador na história dos Estados Unidos. “Quando alguém promete que vai trazer de volta o dinheiro que seria gasto em guerras, essa pessoa tem o meu voto”, afirma Ayham. Essa é a principal promessa de El-Sayed. Ele critica o envolvimento americano na guerra do Irã e a ajuda militar dos Estados Unidos a Israel. Sabendo disso, Donald Trump tentou uma última cartada nesta terça-feira (3), no dia da eleição. Anunciou, em entrevista à Fox News, um acordo com o governo israelense. Os Estados Unidos vão interromper o envio de US$ 4 bilhões por ano a Israel. Trump afirmou: “Por que deveríamos suportar ataques de lunáticos como El-Sayed, se Israel não precisa mais dessa ajuda?”. Mas, para Julianne Radnai, essa é uma oportunidade de colocar freios nos poderes de Donald Trump. Ela é brasileira, vive lá há 14 anos e é casada com Ayham. “Como a maior economia do mundo, acho que, se aqui não tiver uma estabilidade, eu acho que o resto do planeta não vai ter estabilidade. Então, eu acho que até por uma segurança muito nosso próprio planeta. Eu acho que é importante a gente dar um freio aí”, afirma Julianne. Chelsea Rebeck discorda: “No fim das contas, eu acho que Trump começou a guerra no Irã para manter este país seguro”. Eleições americanas: em disputa, o controle do Congresso nos próximos 2 anos e os limites do poder de Donald Trump Jornal Nacional/ Reprodução Ela faz parte da comunidade judaica na cidade vizinha. Sempre votou no Partido Democrata. Mas, desta vez, vai fazer diferente. Ela inclusive subiu no palanque do candidato republicano, Mike Rogers. No Michigan, um candidato republicano não é eleito para o Senado desde 1994. Mas Trump foi o mais votado na última eleição presidencial por pouco mais de um ponto percentual. De lá para cá, o desgaste dele aumentou. A guerra e o impacto do conflito no preço dos combustíveis e no custo de vida se tornaram o grande tema dessa campanha. O Mike é dono de um centro de autopeças em Detroit, o berço da indústria de automóveis nos Estados Unidos. “Eles prometeram preços mais baixos, o fim das guerras, mais indústria. Eu não vejo nada disso”, diz Mike. Ele importa muitas peças e anda sofrendo com as tarifas. Chegou a processar o governo pelas perdas. Essas são as preocupações que os eleitores americanos trouxeram para as urnas, e muita gente votou antecipadamente - o que é permitido nos Estados Unidos: quase 60 milhões. Um recorde que mostra o engajamento que essa eleição tem gerado. Ao todo, 250 milhões de pessoas estão aptas a votar. Hoje, o cenário é este: o partido de Trump tem 218 deputados, uma maioria pequena frente à oposição democrata. Todas as 435 vagas serão renovadas nessa eleição. E a história joga contra Trump. Em 80 anos, só dois presidentes não perderam cadeiras na Câmara. No Senado, os republicanos são 53 dos 100 senadores. Cerca de um terço de todas as cadeiras estão em disputa. Para conseguir a maioria no Senado, os democratas precisam manter a cadeira do Michigan e virar outras quatro. As pesquisas mostram que isso pode acontecer em estados como Iowa, Texas, Ohio, Alasca, Kansas e Maine. Se perder a maioria, Trump disse ao “New York Post” o que espera do futuro: vai virar o “senhor veto”. Vai tentar bloquear todas as leis da oposição para forçá-los a negociar. O embate é certo. Mas como fica a nova relação entre presidente e Congresso, só as urnas irão dizer. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Sandra Cohen: Eleições nos EUA: à espera de uma derrota, Trump ensaia o papel de 'Sr. Veto' 3 cenários possíveis para os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA Qual é o partido de Donald Trump? Entenda a sigla do presidente dos EUA
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