Mercado de panificação cresce no RJ, mas setor enfrenta dificuldade na busca por profissionais qualificados
Mercado de panificação cresce no RJ, mas setor enfrenta dificuldade na busca por profissionais qualificados. Divulgação Celebrado nesta sexta-feira (16), o Dia Mundial do Pão chama a atenção para a importância de um setor que movimenta o mercado de trabalho no Rio de Janeiro. A panificação e a confeitaria encerraram 2025 com 46.216 empregos formais no estado, alta de 4,1% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento, empresários relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados, especialmente padeiros e confeiteiros com experiência. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Na região de Caxias, na Baixada Fluminense, foram registrados 3.678 vínculos formais no setor, alta de 3,9% na comparação com 2024. Os dados são de um levantamento do Observatório Firjan. Agora no g1 O recorte regional inclui Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Magé e Guapimirim. Juntos, os cinco municípios têm 605 estabelecimentos de panificação e confeitaria. A dificuldade para encontrar trabalhadores preparados coloca a qualificação profissional no centro das discussões sobre o futuro da atividade. Para quem busca uma oportunidade, a área pode representar um caminho de entrada no mercado de trabalho e de crescimento na carreira. Por que as padarias têm dificuldade para contratar? Em Duque de Caxias, a Padaria Aliança tem mais de dez anos de atuação e cerca de 64 funcionários. Segundo o sócio do estabelecimento, Rubens Souza, encontrar profissionais preparados para as exigências da produção está entre os principais desafios do negócio. A dificuldade aparece principalmente na contratação de padeiros e confeiteiros com experiência, domínio dos processos e conhecimento das práticas de segurança dos alimentos. Além da capacidade técnica, a empresa procura trabalhadores com responsabilidade, organização, pontualidade e facilidade para atuar em equipe. Quando não encontra candidatos totalmente preparados, a disposição para aprender também pesa na seleção. Segundo Rubens, investir na formação dos funcionários pode melhorar a produtividade, reduzir desperdícios e padronizar a produção. “O futuro do setor de panificação depende não apenas de bons equipamentos e bons produtos, mas também de pessoas qualificadas. Precisamos valorizar os profissionais, incentivar a formação e criar oportunidades para que mais pessoas ingressem na panificação e construam uma carreira”, afirma. Formação técnica pode abrir caminho A trajetória de Joaquim Vicente Silva Alves, de 48 anos, mostra como a qualificação pode ampliar as oportunidades na área. Ele teve contato com a produção de pães ainda na infância, aos 9 anos, acompanhando o pai, que trabalhou durante toda a vida no setor. Joaquim Vicente Silva Alves Divulgação Em 1995, Joaquim fez um curso de panificação no Senai. Depois, trabalhou em padarias, prestou consultoria para estabelecimentos e indústrias e, em 2004, ingressou na Bunge. Atualmente, ele é coordenador de Serviços e Atendimento ao Cliente da empresa. Entre suas atribuições estão a capacitação de profissionais, a orientação técnica e o apoio a clientes de diferentes portes em temas como produtos, processos produtivos, produtividade e gestão. Para Joaquim, a formação foi determinante para avançar na carreira. “Acredito que a formação profissional fez 100% de diferença em todas as oportunidades que conquistei. Sem a base técnica que recebi no início da carreira e o complemento em Gestão Comercial que busquei depois, eu não teria chegado à posição de liderança em uma multinacional como a Bunge”, afirma. Ele destaca que o desenvolvimento profissional na panificação exige disciplina, estudo e prática. O domínio das técnicas, explica, é construído com o tempo e o treinamento diário. Escola de panificação oferece cursos Na tentativa de aproximar a formação profissional das necessidades das empresas, a Firjan SENAI Caxias inaugurou em outubro uma Escola de Panificação e Confeitaria. O espaço tem capacidade para atender até 80 alunos por dia e oferece 19 cursos, com meta de formar até 300 profissionais por ano. A estrutura inclui cursos de panificação, confeitaria, doces finos, chocolate, decoração de bolos e fermentação natural. A proposta é ampliar o acesso à qualificação técnica na região. Rubens Souza é sócio da Padaria Aliança. Divulgação Quanto ganha um padeiro ou confeiteiro no Rio? A remuneração varia conforme a função, a experiência, o empregador e a região. Dados do Indeed indicavam, em setembro de 2026, salário-base médio mensal de R$ 2.352 para padeiros e de R$ 2.445 para confeiteiros na cidade do Rio de Janeiro. Os valores são calculados a partir de salários informados na plataforma e de anúncios de emprego. Por isso, não representam necessariamente a remuneração praticada em todo o estado. O piso salarial depende da convenção coletiva aplicável à categoria e à região. Um valor previsto em um acordo específico não deve ser considerado automaticamente como referência para todos os trabalhadores do setor. Emprego cresce em funções ligadas à produção Além do aumento no número de vínculos formais, o levantamento da Firjan aponta mudanças no perfil das ocupações. Entre 2022 e 2025, os postos ligados à operação industrial e aos processos produtivos cresceram 30% no estado do Rio de Janeiro. No mesmo período, o emprego total do setor avançou 6,4%. Para Raphael Veríssimo, especialista em Estudos de Competitividade da Firjan, os números indicam uma atividade que exige profissionais preparados para lidar com equipamentos e processos cada vez mais complexos. Nesse cenário, a qualificação profissional ganha importância para aproximar trabalhadores das oportunidades disponíveis e atender às necessidades das empresas.
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