Milícia de vigilantes gravava vídeos torturando e até arrancando dentes de moradores em situação de rua no ES
Milícia de vigilantes gravava vídeos torturando moradores em situação de rua no ES O grupo de vigilantes acusado de sequestrar, torturar e matar um morador em situação de rua no Espírito Santo gravou e compartilhou vídeos de dezenas de sessões de espancamento cometidas contra diferentes vítimas. Nas imagens divulgadas pela polícia, os suspeitos aparecem uniformizados e agredindo as vítimas com simulacros, cassetetes e bastões metálicos, além de desferirem socos e chutes. De acordo com a denúncia, os suspeitos atuavam como uma milícia privada e chegaram a usar um alicate para arrancar os dentes de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, morto no mês de março na Grande Vitória. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Ainda segundo as investigações, as cenas de tortura eram compartilhadas em grupos de aplicativos de mensagens (veja acima). O espaço era usado, também, para ordenar novas agressões — que tinham como alvo pessoas em situação de vulnerabilidade que circulavam por condomínios onde os suspeitos prestavam serviço, nos bairros Enseada do Suá e na Praia do Suá, em Vitória. Vídeos foram encontrados nos celulares dos investigados A organização criminosa foi identificada após a morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues. Em março, ele foi sequestrado, espancado por horas e levado até uma área de eucalipto no município vizinho da Serra, onde foi assassinado e enterrado. Durante as investigações sobre o homicídio, a polícia encontrou mensagens e vídeos gravados pelos acusados que comprovam as agressões contra a vítima. Além disso, foram localizadas imagens de outras pessoas em situação de rua sendo torturadas. Três casos já foram confirmados, mas a polícia acredita que o grupo pode ter cometido dezenas de ataques. “Lamentavelmente, inacreditavelmente, são dezenas de pessoas que passaram por tortura praticada por esses indivíduos”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Jordano Bruno, em uma coletiva sobre o caso na manhã desta quinta-feira (13). Grupo de vigilantes é acusado de torturar e matar um homem em situação de rua no Espírito Santo. Divulgação/Polícia Civil LEIA TAMBÉM: Vigilantes são acusados de 'caçar' e torturar moradores em situação de rua no ES; polícia fala em dezenas de vítimas Vigilantes de empresa de segurança são presos por torturar, matar e esconder corpo de homem em situação de rua no ES Mais dois vigilantes são presos por torturar, matar e esconder corpo de homem em situação de rua no ES Segundo a polícia, os vigilantes aparecem uniformizados e agredindo diferentes vítimas usando simulacros, cassetetes, bastões metálicos e também com chutes e socos. “A gente sabe que você é safado e que vai roubar de novo [...], a gente vai te destruir”, diz um dos investigados em uma das filmagens. A corporação, agora, trabalha para identificar outras vítimas e elucidar os casos de tortura. A Polícia Civil fez um apelo para que famílias de pessoas em situação de rua que estejam desaparecidas procurem a delegacia para registrar o boletim de ocorrência. Vigilantes são acusados de 'caçar' e torturar moradores em situação de rua no ES Denunciados à Justiça Ao todo, nove pessoas foram denunciadas à Justiça por participação no crime. Do total, oito estão presas e um dos suspeitos segue foragido. Duas prisões ocorreram em 21 de abril, durante a primeira fase da Operação Invisíveis. Em maio, outros dois vigilantes foram detidos na segunda fase da operação. Veja quem são os réus: Vigilantes Gabriel dos Santos Amaral, de 29 anos (preso); Paulo Henrique Esteves Silva, 30 anos (preso); Rafael de Souza Silva, de 33 anos (preso); Saimon Sales Cesar, de 30 anos (preso); Thiago Gonçalves, de 24 anos (preso); Ralson Amancio Chagas, de 42 anos (preso); Celso Henrique de Azevedo, de 25 anos (preso). Lucas Miguel Oliveira dos Santos, 28 anos (foragido); Coordenador de videomonitoramento Gabriel Fittipaldi, 22 anos (preso). A defesa dos réus não foi localizada até a última atualização desta reportagem. Procurado pelo g1, o Sindicato dos Vigilantes da Grande Vitória (Sindseg-ES) afirmou que não irá se manifestar sobre o caso pois a empresa onde os suspeitos trabalhavam não é ligada a associação. Oito homens foram presos por envolvimento na morte de um morador em situação de rua no Espírito Santo. Divulgação/Polícia Civil A empresa foi ouvida pela polícia e negou participação no crime, afirmando não saber da conduta dos investigados. O caso segue sob apuração. "Nenhuma empresa de segurança está legitimada a fazer extração, retirada, expulsão de pessoas em situação de rua, independente da situação. Tem os órgãos, têm os assistentes sociais, tem a polícia, tem o estado para prestar serviço. Não é função de rondista, não é função de empresa de vigilância encostar ou fazer qualquer tipo de atitude em relação a ninguém, inclusive os moradores de situação de rua", destacou o delegado Jordano Bruno. Lucas Miguel Oliveira dos Santos, de28 anos, é considerado foragido Divulgação/Polícia Civil Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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