PM atirou nas costas e matou homem no ES: 'Policial precisa estar em vantagem em relação ao cidadão abordado', diz comandante
Homem morre durante perseguição policial por ruas de Vila Velha A Polícia Militar apresentou nesta segunda-feira (28) a versão dos policiais envolvidos na ocorrência que terminou com a morte de Caio Abreu Rodrigues, de 33 anos, baleado nas costas durante uma perseguição no bairro Ilha das Flores, em Vila Velha, na Grande Vitória, no domingo (27). Segundo o comandante-geral da PM, coronel Ríodo Lopes Rubim, o movimento de Caio de levar a mão à cintura foi interpretado pelos militares como uma possível reação armada. "O policial precisa estar em vantagem em relação ao cidadão abordado", afirmou. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A perseguição foi registrada por uma câmera (assista acima). Segundo relatos de moradores, Caio teria entrado em surto e saído correndo pelas ruas do bairro. Num certo momento do vídeo, Caio dá uma cambaleada, mas não cai e segue correndo com um copo na mão. Os policiais seguem indo atrás dele, apontando as armas. Eles saem do enquadro da câmera. Caio morreu logo depois. Comandante-geral da PM do Espírito Santo, coronel Ríodo Lopes Rubim Reprodução/TV Gazeta Versão da PM Segundo a PM, os policiais receberam uma denúncia de que um homem em uma motocicleta vermelha e preta estaria causando tumulto, ameaçando pessoas e portando uma arma. Cerca de cinco minutos antes, o Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes) também recebeu uma ocorrência com características semelhantes. Ao ser abordado, Caio correu e, segundo o comandante, manteve uma das mãos na cintura durante a fuga. Questionado sobre as imagens da ocorrência, o comandante afirmou que não é possível confirmar, pelo ângulo disponível, se o homem que aparece nas imagens é Caio ou se ele estava armado. “É fácil identificar aqui, sentadinho, assistindo, se tem ou não tem. Dali, no momento da ocorrência, o ângulo que cada um estava, conforme aquela situação, aí eu não me atreveria a afirmar”, disse Rubim. LEIA TAMBÉM: ESTRADA: Acidente com ônibus de turismo deixa 3 mortos e 45 feridos na BR-262 em Ibatiba VILA VELHA: Homem é morto a tiros em banheiro de bar durante evento com música ao vivo MUQUI: Homem é esfaqueado após dar carona à ex-namorada; suspeito é o ex-marido dela O comandante afirmou que a ocorrência foi complexa e que os policiais desembarcaram da viatura com as armas em punho, o que, segundo ele, é um procedimento protocolar. “Quando a gente desce com a arma em punho, gente, isso é protocolar. O policial precisa estar em vantagem em relação ao cidadão a ser abordado. E, dali, a ocorrência evoluiu, ele correu e, a todo tempo, com a mão na cintura”, afirmou. O comandante afirmou que, durante a fuga, Caio teria retirado da cintura algo que aparentava ser um celular e levado o braço para trás. Segundo Rubim, as imagens analisadas até o momento não permitem confirmar se ele estava armado. "Não dá para a gente ser assertivo de que ele estava armado. O que eu posso dizer é que ele correu, a todo tempo, com a mão na cintura", afirmou. Rubim também disse que não é possível afirmar que o disparo ocorreu exatamente no momento em que Caio fez o movimento com o braço. Segundo a PM, dois disparos foram feitos e apenas um dos policiais atirou. O primeiro teria sido, em princípio, um disparo de advertência. O segundo atingiu Caio. A informação preliminar é de que o tiro atingiu a região da escápula. O g1 questionou a Polícia Militar se os policiais vão continuar nas ruas e qual seria o procedimento nesses casos, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. Caio Abreu Rodrigues, 33 anos, morreu após ser perseguido por policiais em ruas de Vila Velha Reprodução Dois policiais têm pouco mais de um ano de corporação Os dois policiais militares envolvidos na ocorrência fazem parte da última turma formada pela PM e têm pouco mais de um ano de serviço, segundo o major Pratti, da 17ª Companhia Independente. “São policiais da última turma. Eles têm pouco mais de um ano de polícia. Não têm antecedentes e têm um bom histórico”, afirmou Pratti. Segundo o major, os dois militares atuam diariamente na região da 17ª Companhia Independente. “Eles trabalham diariamente nessa área. É uma área sensível, uma área que tem influência de organizações criminosas. Então são policiais que estão acostumados com a dinâmica da região”, disse. Pratti também explicou o que Caio foi socorrido por populares. “Ele caiu de frente, com a barriga para o chão. Os policiais não conseguiram se aproximar porque a população se aglomerou e não permitiu essa aproximação”, afirmou. Segundo o major, um dos policiais se afastou para buscar a viatura e iniciar o socorro. Quando retornou, moradores já haviam colocado Caio em um carro particular. “A população colocou ele dentro de um veículo particular e começou a fazer o socorro. A viatura passou a acompanhar esse veículo até o Hospital Evangélico”, disse Pratti. O major afirmou ainda que os policiais não conseguiram fazer uma busca pessoal em Caio. “Os policiais não tiveram oportunidade de fazer uma busca pessoal nele para saber se ele tinha algum outro objeto ou alguma coisa na cintura”, afirmou. A Polícia Civil investiga o caso como morte por intervenção legal de agente do estado. Homem morre durante perseguição policial por ruas de Vila Velha, Espírito Santo Reprodução Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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